domingo, 31 de julho de 2016
The Spielberg Jewish Film Archive - Theodor Herzl - Father of the Jewish State
Retirado de:http://notintheheavens.blogspot.pt/
Vitebsk: uma pátria para Marc Chagall?
Apesar de Marc Chagall ter passado quase toda a sua vida em terra francesa, uma fuga ao nazismo impôs-lhe um intervalo americano de seis anos, Vitebsk, cidadezinha, na Rússia, que o viu nascer, nunca o abandonou, perfilando-se como linha segura entre o pintor e o judaísmo. Um útero espiritual, refúgio onde Chagall encontrava casa para as suas memórias.
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| Marc Chagall, « Amantes sobre a cidade (Vitebsk)», 1918 |
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| Marc Chagall, «Praça do Mercado, Vitebsk», 1917 |
sexta-feira, 29 de julho de 2016
Chansons Yiddish - Tendress et Rage - A Kalte Nakht
Yiddish: Iídiche é uma língua germânica, com cerca de três milhões de falantes, principalmente os judeus asquenazitas, no E.U.A., Israel, Rússia, Ucrânia e outros países. O nome do iídiche é provavelmente uma versão abreviada do ייִדיש - טייַטש (yidish taytsh-), que significa "alemão" judaica.Ver mais aqui
quinta-feira, 28 de julho de 2016
Federico García Lorca
CEMITÉRIO JUDAICO
As alegres febres fugiram às amarras dos barcos
e o judeu empurrou com o pudor gelado do interior das alfaces.
Os meninos de Cristo dormiam
e a água era uma pomba
e a madeira era uma garça
e o chumbo era um colibri
e ainda as vivas prisões de fogo
estavam consoladas pelo salto do gafanhoto.
Os meninos de Cristo vogavam e os judeus enchiam os muros
com um só coração de pomba
pelo qual todos queriam escapar.
As meninas de Cristo cantavam e as judias olhavam a morte
com um só olho de faisão,
vidrado pela angústia de um milhão de paisagens.
Os médicos põem no níquel suas tesouras e luvas de borracha
quando os cadáveres sentem nos pés
a terrível claridade de outra lua enterrada.
Pequenas dores ilesas abeiram-se dos hospitais
e os mortos vão despindo um trajo de sangue em cada dia.
As arquitectas de geada,
as liras e gemidos que se escapam das folhas diminutas
no Outono, molhando as últimas vertentes,
apagavam-se no negro dos chapéus altos.
A erva celeste e só da qual o orvalho foge com medo
e as brancas entradas de mármore que conduzem ao ar duro
mostravam seu silêncio quebrado pelas pegadas adormecidas dos sapatos.
O judeu empurrou a grade
mas o judeu não era um porto
e as barcas de neve de súbito juntaram-se
nas escadinhas do seu coração.
As barcas de neve que espreitam
um homem de água que as afogue.
As barcas dos cemitérios
que às vezes deixam cegos os visitantes.
Os meninos de Cristo dormiam
e o judeu ocupou sua liteira.
Três mil judeus choravam no medo das galerias
porque reuniam entre todos a custo meia pomba,
porque um tinha a roda de um relógio
e outro uma polaina com lagartas falantes
e outro uma chuva nocturna carregada de cadeias
e outra a unha de um rouxinol que estava vivo
e porque a meia pomba gemia
derramando um sangue que não era o seu.
As alegres febres bailavam pelas cúpulas humedecidas
e a lua copiava em seu mármore
nomes velhos e fitas estragadas.
Chegou a gente que come por trás das rígidas colunas
e os asnos de brancos dentes
com os especialistas das articulações.
Verdes girassóis tremiam
nos páramos do crepúsculo
e o cemitério inteiro era uma queixa
de bocas de cartão e trapo seco.
Já os meninos de Cristo adormeciam
quando o judeu, apertando os olhos,
cortou suas mãos em silêncio
ao escutar os primeiros gemidos.
As alegres febres fugiram às amarras dos barcos
e o judeu empurrou com o pudor gelado do interior das alfaces.
Os meninos de Cristo dormiam
e a água era uma pomba
e a madeira era uma garça
e o chumbo era um colibri
e ainda as vivas prisões de fogo
estavam consoladas pelo salto do gafanhoto.
Os meninos de Cristo vogavam e os judeus enchiam os muros
com um só coração de pomba
pelo qual todos queriam escapar.
As meninas de Cristo cantavam e as judias olhavam a morte
com um só olho de faisão,
vidrado pela angústia de um milhão de paisagens.
Os médicos põem no níquel suas tesouras e luvas de borracha
quando os cadáveres sentem nos pés
a terrível claridade de outra lua enterrada.
Pequenas dores ilesas abeiram-se dos hospitais
e os mortos vão despindo um trajo de sangue em cada dia.
As arquitectas de geada,
as liras e gemidos que se escapam das folhas diminutas
no Outono, molhando as últimas vertentes,
apagavam-se no negro dos chapéus altos.
A erva celeste e só da qual o orvalho foge com medo
e as brancas entradas de mármore que conduzem ao ar duro
mostravam seu silêncio quebrado pelas pegadas adormecidas dos sapatos.
O judeu empurrou a grade
mas o judeu não era um porto
e as barcas de neve de súbito juntaram-se
nas escadinhas do seu coração.
As barcas de neve que espreitam
um homem de água que as afogue.
As barcas dos cemitérios
que às vezes deixam cegos os visitantes.
Os meninos de Cristo dormiam
e o judeu ocupou sua liteira.
Três mil judeus choravam no medo das galerias
porque reuniam entre todos a custo meia pomba,
porque um tinha a roda de um relógio
e outro uma polaina com lagartas falantes
e outro uma chuva nocturna carregada de cadeias
e outra a unha de um rouxinol que estava vivo
e porque a meia pomba gemia
derramando um sangue que não era o seu.
As alegres febres bailavam pelas cúpulas humedecidas
e a lua copiava em seu mármore
nomes velhos e fitas estragadas.
Chegou a gente que come por trás das rígidas colunas
e os asnos de brancos dentes
com os especialistas das articulações.
Verdes girassóis tremiam
nos páramos do crepúsculo
e o cemitério inteiro era uma queixa
de bocas de cartão e trapo seco.
Já os meninos de Cristo adormeciam
quando o judeu, apertando os olhos,
cortou suas mãos em silêncio
ao escutar os primeiros gemidos.
Federico García Lorca, Antologia Poética, Org. e trad. de José Bento, Relógio D' Água, 1993, pp.313-315
domingo, 19 de junho de 2016
sábado, 18 de junho de 2016
«Chanson pour oublier Dachau» de Louis Aragon
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| Louis Aragon |
« Nul ne réveillera cette nuit les dormeurs
Il n’y aura pas à courir les pieds nus dans la neige
Il ne faudra pas se tenir les poings sur les hanches
jusqu’au matin
Ni marquer le pas le genou plié devant un
gymnasiarque dément
Les femmes de quatre-vingt-trois ans
les cardiaques ceux qui justement
Ont la fièvre ou des douleurs articulaires
ou Je ne sais pas moi les tuberculeux
N’écouteront pas les pas dans l’ombre qui
s’approchent
Regardant leurs doigts déjà qui s’en vont en fumée
Nul ne réveillera cette nuit les dormeurs
Ton corps
Ton corps n’est plus le chien qui rôde et qui ramasse
Dans l’ordure ce qui peut lui faire un repas
Ton corps n’est plus le chien qui saute sous le fouet
Ton corps n’est plus cette dérive aux eaux d’Europe
Ton corps n’est plus cette stagnation cette rancoeur
Ton corps n’est plus la promiscuité des autres
N’est plus sa propre puanteur
Homme ou femme tu dors dans des linges lavés
Quand tes yeux sont fermés quelles sont les images
Qui repassent au fond de leur obscur écrin
Quelle chasse est ouverte et quel monstre marin
Fuit devant les harpons d’un souvenir sauvage
Quand tes yeux sont fermés revois-tu revoit-on
Mourir aurait été si doux à l’instant même
Dans l’épouvante où l’équilibre est stratagème
Le cadavre debout dans l’ombre du wagon
Quand tes yeux sont fermés quel charançon les
ronge
Quand tes yeux sont fermés les loups font-ils le beau
Quand tes yeux sont fermés ainsi que des tombeaux
Sur des morts sans suaire en l’absence des songes
Tes yeux
Homme ou femme retour d’enfer
Familiers d’autres crépuscules
Le goût de soufre aux lèvres gâtant le pain frais
Les réflexes démesurés à la quiétude villageoise de
la vie
Comparant tout sans le vouloir à la torture
Déshabitués de tout
Hommes et femmes inhabiles à ce semblant de bonheur revenu
Les mains timides aux têtes d’enfants
Le cœur étonné de battre
Leurs yeux
Derrière leurs yeux pourtant cette histoire
Cette conscience de l’abîme
Et l’abîme
Où c’est trop d’une fois pour l’homme être tombé
Il y a dans ce monde nouveau tant de gens
Pour qui plus jamais ne sera naturelle la douceur
Il y a dans ce monde ancien tant et tant de gens
Pour qui toute douceur est désormais étrange
Il y a dans ce monde ancien et nouveau tant de gens
Que leurs propres enfants ne pourront pas
comprendre
Oh vous qui passez
quinta-feira, 2 de junho de 2016
O manuscrito de Primo Levi
![]() |
| Manuscrito de Primo Levi Ler artigo aqui |
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