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terça-feira, 11 de abril de 2017

EttY Hillesum

Felix Nussbaum
Terça-feira de manhã (8 de Junho de 1943)
«Acabo de subir para para cima de um caixote entre os arbustos para contar o número de vagões; são 35, e alguns de segunda classe mais à frente, para os guias. Os vagões de mercadorias não estavam completamente fechados; faltavam tábuas aqui e ali e pelas aberturas saíam mãos que acenavam, como as de pessoas a afogar-se.
O céu está cheio de pássaros, os tremoceiros- roxos têm um ar tão majestoso e sereno (,,,), o Sol iluminava-me o rosto e um genocídio é cometido mesmo diante dos nossos olhos; é tudo tão incompreensível.
Comigo está tudo bem.
beijos
Etty »
Etty Hillesum / Cartas

domingo, 26 de março de 2017

Etty Hillesum (1914-1943)

Serei mais tarde a cronista das nossas vicissitudes. Forjarei uma nova linguagem em mim e guardá-la-ei se não tiver oportunidade de escrever alguma coisa. Tornar-me-ei sensível e ressuscitarei e cairei morta; e ressuscitarei novamente. Pode ser que então mais tarde tenha um espaço tranquilo em meu redor e, nesse caso, hei-de ficar tanto tempo lá sentada, mesmo que por um ano, até a vida brotar de novo em mim e as palavras que darão testemunho daquilo que terá de ser testemunhado me surgirem.

Etty Hillesum, Diário 1941 -1943, Trad. Maria Leonor Raven- Gomes, Assírio & Alvim, 2009



Pat Brassington, «The tongue»



quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Etty Hillesum

Há um silêncio desmedido a crescer dentro de mim. E à volta dele fluem tantas palavras que te cansam, porque não há nada para exprimir com elas. Deve cada vez mais poupar-se palavras banais a fim de achar aquelas de que uma pessoa precisa. E através do silêncio deve crescer a nova possibilidade de expressão.
Etty Hillesum, "Diário 1941-1943"