Mostrar mensagens com a etiqueta Dever de memória. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Dever de memória. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

A Polónia, vítima e ré, por Esther Mucznik

A actual Comunidade Israelita de Lisboa tem uma característica pouco comum no mundo judaico. Fundada a partir do final do século XVIII por judeus de origem marroquina — muitos dos quais vindos de Gibraltar com nacionalidade britânica —, a Comunidade agrega no seu seio em proporções praticamente idênticas judeus asquenaze, originários da Rússia, da Alemanha e, sobretudo, da Polónia, aqui chegados a partir da segunda metade do século XIX mas sobretudo nas duas primeiras décadas do seculo XX, alguns ainda na década seguinte. É dos judeus polacos que irei falar nesta crónica a propósito da lei agora aprovada pelo Parlamento polaco.

Continuar a ler aqui

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Expressão “campos da morte polacos” dá prisão

O Senado da Polónia aprovou uma lei sobre o Holocausto que prevê até três anos de prisão para quem utilize a expressão “campos da morte polacos”, sob a justificação de que visa “defender a imagem do país”.
Continuar a ler aqui

Documentation of Atrocities: The Jewish Photographer Henryk Ross

sábado, 27 de janeiro de 2018

One Day in Auschwitz 2015 720p HD Auschwitz Holocaust Documentary

Pavel Friedmann

A Borboleta  

A última, a última das últimas,
Tão intensa, brilhante, estonteantemente amarela.
Talvez se as lágrimas do sol cantassem
Sobre uma branca pedra.

Tanto, tanto amarelo
Alto levado levemente.
Assim se vai porque tenho a certeza que deseja
beijar o mundo com um a-deus.

Há sete semanas que vivo aqui,
Dentro deste gueto encurralado.
Mas descobri o que aqui amo,
Chamam-me os dentes-de-leão
E os braços da castanha branca.


Só mais nenhuma borboleta vi.
Aquela borboleta foi a última.
As borboletas não vivem aqui,
no gueto.

Pavel Friedman, morto em Auschwitz em 1944

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

"Wer zeugt für den Zeugen?" ("Quem testemunha pela testemunha?”) Paul Celan


“Como serias tu em Auschwitz?” Ainda não sabemos tudo sobre o Holocausto

A publicação de "Holocausto: Uma Nova História", de Laurence Rees, poderá levar a que se pergunte se o mundo precisa de mais um livro sobre o tema. A resposta é: sem dúvida.

  1. 1.A história, entre a culpa e o orgulho
  2. 2. Laurence Rees: Um especialista no Abismo
  3. 3. As raízes do anti-semitismo
  4. 4.“Sem Hitler, não há Holocausto”
  5. 5. Porque não fugiram os judeus alemães?
  6. 6. Porque foi a taxa de extermínio dos judeus diferente em diferentes países?
  7. 7. O inquietante caso francês
  8. 8. Anti-semitismo à solta no Leste
  9. 9. A conferência de Wannsee
  10. 10. Perguntas e respostas

A história, entre a culpa e o orgulho

A memória humana pode ser inacreditavelmente precisa nalgumas ocasiões e assustadoramente volátil e nebulosa noutras. O ser humano tem propensão para reescrever o passado de forma a eliminar ou esbater episódios embaraçosos e a empolar e embelezar aqueles que o mostram a uma luz mais favorável. Este impulso para distorcer a realidade em nome da auto-preservação e do auto-engrandecimento conheceu forte impulso com o advento da era da “pós-verdade” e dos “factos alternativos”. Esta nova atitude mental não significa, obviamente, que os líderes políticos e governantes começaram agora a mentir ou a “proferir inverdades” – prática com ininterrupta tradição desde a primeira vez em que o cabecilha de um bando de trogloditas prometeu à tribo mamutes maiores e mais tenros se o ajudassem a eliminar um rival – mas que às massas deixou de importar se os líderes que apoiam dizem ou não a verdade; ou seja, com o facto de, na era do acesso universal a todo o tipo de informação e de mecanismos de verificação de factos, as massas terem, escolhido ouvir apenas aquilo que confirma os seus preconceitos (o que pode ser visto como uma reacção obtusa e preguiçosa à sobrecarga de informação do nosso tempo).
Continuar a ler aqui

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Carta de um judeu grego que sobreviveu a Auschwitz esteve 70 anos à espera de ser lida

Esta carta de um judeu grego que sobreviveu a Auschwitz esteve 70 anos à espera de ser lida

Foi escrita em 1944 e enterrada perto de um dos fornos crematórios deste complexo de extermínio na Polónia. Descoberta em 1980, só agora viu o seu conteúdo decifrado. “Não tenho medo de morrer”, escreve o soldado. “Afinal, como posso eu ter medo depois de tudo o que os meus olhos viram?”

Ler mais aqui

sábado, 18 de novembro de 2017

Tatuagens

At Auschwitz, Livia Ravek was branded with the number 4559. Now her grandson, Daniel Philosoph, has the same tattoo.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Entrevista a Primo Levi

No seu tempo de prisioneiro, partiu do princípio de que receberia um tratamento mais humano por parte de cientistas que reconhecessem a sua experiência científica?

Não parti desse princípio. A minha história era uma excepção. Como eles descobriram a minha experiência de químico, trabalhei num laboratório. Éramos três entre dez mil prisioneiros. A minha posição era extremamente excepcional, como a posição ou situação de todos os sobreviventes. Um prisioneiro normal morria. Era assim que saía dali. Depois de passar um exame de química, esperei algo mais dos meus chefes. Mas o único que tinha uma réstia de compreensão humana comigo era o Dr. Müller, meu supervisor no laboratório. Discutimos o assunto depois da guerra, por cartas. Era um homem normal, nem herói nem bárbaro. Fora transferido para Auschwitz uns dias antes. Portanto, sentiu-se confuso. Disseram-lhe: « Sim, nos nossos laboratórios, nas nossas fábricas, empregamos prisioneiros. São demónios, são adversários do nosso governo. Pomo-los a trabalhar para os explorar, mas não deves falar com eles. São perigosos, são comunistas, são assassinos. Por isso, põe-nos a trabalhar, mas não mantenhas contacto com eles.» Este Müller era um homem trapalhão, pouco esperto. Não era nazi. Tinha uma réstia de humanidade. Reparou que eu não me barbeava e perguntou-me a razão. «Não temos lâmina», disse-lhe. «Nem sequer temos um lenço. Estamos completamente nus. Despidos de tudo.» Passou-me uma requisição que dizia que eu devia ser barbeado duas vezes por semana, o que não constitui uma ajuda propriamente dita, mas um sinal. Além disso, reparou que eu usava tamancos de madeira. Barulhentos e desconfortáveis. Perguntou-me porquê. Respondi-lhe que os nossos sapatos nos eram tirados no primeiro dia. «Estes fazem parte do nosso uniforme, do padrão.» Conseguiu que eu recebesse sapatos de pele. Foi uma vantagem, porque os tamancos de madeira eram uma tortura. Ainda tenho as cicatrizes que deixaram. Se não estivéssemos habituados a eles, depois de menos de mil metros a caminhar, os pés começavam a sangrar, ficavam incrustados com poeiras e outras coisas, e infectavam. Ter sapatos de pele era uma vantagem importante. Por isso, senti uma espécie de gratidão para com este homem. Não era muito corajoso. Tinha medo dos SS, como eu. Interessava-lhe tornar o meu trabalho útil, não perseguir-me. Não tinha nada contra os judeus, contra os prisioneiros. Só esperava de nós que fôssemos trabalhadores eficientes. A história sobre ele n' O Sistema Periódico é completamente verídica. Nunca tive oportunidade de me encontrar com ele depois da guerra. Morreu uns dias antes da data que marcáramos. Telefonou-me de umas termas na Alemanha, onde estava a recuperar a saúde. Tanto quanto sei, a sua morte foi natural. Mas não tenho a certeza. Deixei a questão propositadamente em aberto n' O Sistema Periódico... para deixar o leitor na dúvida, tal como eu fiquei.
Primo Levi

Fala-me do Lorenzo que lhe dava de comida.

Com o Lorenzo, era diferente. Tratava-se de um homem sensível, uma espécie de santo, quase analfabeto. Depois da guerra, quando o encontrei em Itália, disse-me que não me tinha ajudado só a mim. Ajudou três ou quatro prisioneiros, sem dizer a um que ajudava o outro. Atenção, ele quase nunca falava. Era um homem muito calado. Recusava os meus agradecimentos. Quase não respondia às minhas palavras. Limitava-se a encolher os ombros: «Aceita o pão. Aceita o açúcar. Cala-te, não precisas de falar.»
Mais tarde, quando tentei salvá-lo, foi difícil chegar a ele, falar com ele. Era...muito ignorante, quase analfabeto, mal conseguia escrever. Não era religioso; não conhecia o evangelho, mas tentou instintivamente salvar pessoas, não por orgulho, não pela glória, mas por ter bom coração e entendimento humano. Perguntou-me certa vez, em palavras lacónicas: «Porque é que estamos no mundo, senão para nos ajudarmos uns aos outros?» Ponto final. Mas ele tinha medo do mundo. Depois de ver pessoas a morrer como moscas em Auschwitz, deixou de ser feliz. Não era judeu, nem prisioneiro. Mas era muito sensível. Quando regressou a casa, começou a beber. Fui visitá-lo - não vivia muito longe de Turim - para o convencer a deixar de beber. Abandonara o emprego de pedreiro e passou a comprar e a vender sucata para alimentar o vício. Bebia cada lira que ganhava. Perguntei-lhe porquê e ele respondeu-me com franqueza: «Já não gosto de viver. Estou farto da vida...Depois de ver a ameaça da bomba atómica...acho que já vi tudo...» Tinha percebido muitas coisas, mas não tinha sequer entendido onde estivera: em vez de Auschwitz, dizia Au-Schwiss, como Suiça. Tinha a geografia toda confundida. Não era capaz de cumprir um calendário. Embebedava-se e dormia na neve, completamente ébrio de vinho. Apanhou tuberculose. mandei-o para um hospital, para que se curasse. Mas, como eles não lhe davam vinho, fugiu. Morreu da tuberculose e do álcool. Sim. Foi um autêntico suicídio.

Entrevistas da Paris Review - 2, Trad. Rita Almeida Simões, Tinta da China, 2014 
(disponível na BE, estante d'«Os Estudos do Holocausto»)

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Werner Reich, sobrevivente de Auschwitz, por terras lusas

“Se virem algo errado, falem”, pede sobrevivente de Auschwitz

Aos 90 anos, Werner Reich anda por escolas a contar como foi ser criança e adolescente judeu nos campos de concentração de Auschwitz. Na Universidade de Coimbra uma plateia assombrada extravasou os limites do auditório da Reitoria para o ouvir.

Mais aqui

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Paulo Nozolino

Remember the Damned, the Expropriated, the Exterminated..., Bucharest, 2003 / Madrid, 2003 / Auschwitz, 1994. 

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Há 85 anos




"As eleições legislativas de 31 de Julho de 1932 deram uma grande vitória ao Partido Nazi, que conquistou 230 cadeiras no Reichstag, tornando-se o maior partido político." (jornais)